Não sei se é cara
ou livro. Prefiro Orkut!
E que Deus me livre
de entrar de cara
nesse Facebook.
"No que você está pensando?"
Você quer saber de mim.
Pois saiba que nem seu sei
e se soubesse,
nem estaria aqui.
Mas porque tanta frase
de Caio Ferando Abreu?
(Parece o Facebook da Depressão)
De tanto ler esse cara
já me sinto na fossa,
estou perdendo a auto-estima
e já quero auto-ajuda também.
Talvez Arnaldo Jabor,
alguém aí já leu?
Olha os memes!
ME GUSTA! LOL!!
Que cara é essa?
Se não gosta, OKAY,
te mando um TROLL FACE.
Melhor ser FOREVER ALONE
que aguentar POKER FACE.
FUCK YEAH!!!
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É tudo tão prático,
que nem preciso mais pensar.
Que bom seria se, na vida,
em vez de abrir a boca
eu pudesse apenas erguer o polegar!
Oh Facebook!
que me prende
e controla!
Me larga,
senão perco a hora.
Finalmente terminei!
Já vi tudo que havia aqui!
Vou-me embora antes que...
Olha, uma página chamada "VIDA".
Vou ficar mais um pouco e curtir!
Poema do Facebook em 7 posts
É Foda!
Rob Ville | 26-06-2011
“E eu gosto de meninos e meninas”
Legião Urbana
De tempos em tempos (com intervalos cada vez menores) surgem, no Brasil, músicas que não valem o papel em que foram escritas. Se é que foram escritas... Uma que tem chamado muita atenção é a famigerada "Sou Foda", tocada todos os dias - dia e a noite - à exaustão pelos carros de som... Ops, carros com som. Já que não há como ignorá-la, resolvi tentar encontrar o verdadeiro significo desta letra tão... OK, sem adjetivos no momento. Mas saibam que não tenho a intenção de menosprezar a música mais do que ela merece. O que proponho é isolar a melodia da letra para fazer uma análise do texto puro (sic) e tentar encontrar o verdadeiro significado por trás destas palavras tão...
Uma análise completa deve começar pelo título, que neste caso é "Sou Foda". O verbo SER, conjugado na primeira pessoa do singular indica um narrador... Pensando bem, vou tratar o texto como se fosse um poema para deixá-lo mais galante. Na poesia o eu-lírico é aquele que tem voz dentro do poema - é o “narrador da poesia” - mas vou chamá-lo de eu-foda pois encaixa-se melhor dentro deste texto. Então, pela conjugação do verbo SER sabemos que o eu-foda fala de si mesmo.
A outra palavra do título é “foda”! As pessoas de coração puro (sic sic) podem, mesmo hoje, torcer o nariz e dizer que é um palavrão, mas se todo mundo diz “que foda”, “ih, fudeu”, “é foda, né véi!”... Por que a foda (palavra) não pode ser usada numa letra de música?! Nelson Rodrigues não se importaria. Scorsese muito menos. Pois esta palavrinha aparece como adjetivo, caracterizando o eu-foda e dando ao título um sentido mais ou menos assim: "[Eu] Sou foda" e não se meta a besta comigo porque eu sou o macho alpha e comigo ninguém pode! Mas tudo isso fica mais claro quando lemos a primeira estrofe, ou como prefiro chamar, primeiro destroço:
Sou foda na cama eu te esculacho
Na sala ou no quarto
No beco ou no carro
Sabemos que “foda” é uma palavra que nos traz a ideia de masculinidade e virilidade; mas o que podemos dizer de “esculacho”? De acordo com o dicionário Aurélio, o verbo esculachar significa: espancar, esbordoar... A menos que haja uma gíria, metáfora ou qualquer outra explicação razoável só posso entender que o eu-foda é um sujeito que bate em mulheres. Lei Maria da Penha nele! Será que Freud encontraria aí uma homossexualidade reprimida? Afinal, além de nos contar que espanca mulheres ele faz questão de dizer que as espanca na sala, no quarto, no beco e no carro. Seria isto uma necessidade de auto-afirmação? Espancar mulheres é o que o torna macho, viril e portanto, foda?!
Eu... eu sou sinistro
Melhor que seu marido
Esculacho seu amigo
No escuro eu sou um perigo...
Neste segundo destroço o eu-foda afirma que "ser sinistro" é uma de suas características. Torço para que ele esteja usando a palavra sinistro como sinônimo para "canhoto", pois se não for isso, o que sobra é: 1. Que é de mau agouro; fúnebre, funesto; 2. De má índole; mau; 3. Que infunde receio; ameaçador, temível etc. Mas, para um cara que começa seu texto afirmando que bate em mulheres, duvido que seja interessante para ele nos dizer qual mão usa para escrever. E continua... "Melhor que seu marido" por quê? Por ser canhoto ou por ser escroto? "Esculacho seu amigo" é um verso que merece atenção especial, pois o eu-foda está nos dizendo que além de bater em mulheres ele também bate em quaisquer homens que forem amigos dela. Seria um caso de ciúme doentio?
Avassalador, um cara interessante
Esculacho seu amante
Até o seu ficante
"Avassalador, um cara interessante" deve ser, no mínimo, uma frase irônica. Se não for isso não sei o que é. Como pode ser interessante um cara que se auto-intitula avassalador? Pois, para quem não sabe, o Sr. Aurélio nos diz que avassalar significa: 1.Tornar vassalo; 2. Imperar em; 3. Oprimir; 4. Cativar, seduzir; dominar etc. Mesmo este último significado tem conotação negativa... Resumindo a missa: manda quem pode, obedece quem não quiser apanhar, porque ele espanca "(...) seu amante / Até o seu ficante".
Mas... mas não se esqueça
Que eu sou vagabundo
Depois que a putaria começou rolar no mundo
Vagabundo nós já sabemos que ele é, mas o sujeito sente tanto orgulho de seu status que resolveu gritar para todo o Brasil, quiçá (minha vergonha aumenta) o mundo. Entretanto o que mais chama atenção neste destroço é seu último verso: "Depois que a putaria começou rolar no mundo" o quê? A frase começa e não termina! Aqui o texto perde sua coerência ao mudar o rumo sem nenhuma explicação. Seria um anacoluto?! E, afinal, que putaria é essa (o texto ou a que está no texto)? Foi ela que causou trauma no eu-foda?!
Pra... Pra te enlouquecer
Pra te enlouquecer
Todas, todas que provaram não
Conseguem esquecer.
Mas é óbvio que nenhuma mulher irá esquecer um sujeito que a espanca!! Nem precisava escrever isso. Mas, enlouquecer?! Só se for por trauma na cabeça de tanta porrada que levar. Ou isso ou é uma mulher muito burra pra continuar com um cara assim. Só não digo mais nada porque de bizarrices o mundo está cheio...
Não tenho dúvidas de que o eu-foda é um sujeito problemático, que precisa reafirmar sua virilidade a cada instante com medo de perdê-la. Mas, para que ninguém me rotule de parcial, vou retomar o texto enquanto música, pois alguém poderá dizer:
- Não é isso! Você tem que ouvir a música para entender o sentido. Tem que acompanhar o ritmo pra entender o que ele está dizendo.
OK. Vou analisar também este outro lado. Corrijam-me se eu estiver errado, mas pela experiência que tenho de ouvir (involuntariamente) este tipo de música elas sempre trazem um duplo sentido ou fazem referência à sexualidade. Neste caso o verso “na cama eu te esculacho” só pode ser uma metáfora para “sou foda porque posso te dar um prazer inigualável”. E é aí que a coisa muda, pois mesmo sendo uma música insuportável de ouvir, pode merecer meu respeito por ter um eu-lírico corajoso e realmente foda. Corajoso, sim, pois foi capaz de assumir para todos sua homo (ou bi) sexualidade ao cantar “esculacho teu [da mulher] amigo”. Sem medo de ser feliz!
Folha de São Paulo - O Julgamento de Capitu, parte 04
O Veredicto
25/06/1999 | Marcos Augusto Gonçalves Editor de Domingo
Capitu absolvida
Cem anos depois, juiz Sepúlveda Pertence absolve personagem do romance "Dom Casmurro", acusada de trair o marido Bentinho
Um século depois de vir a público, foi julgado e sentenciado o rumoroso caso relatado pelo sr. Bento Santiago, o Bentinho, no romance "Dom Casmurro", de Machado de Assis. A centenária querela, envolvendo a suspeita de adultério da mulher do narrador, Maria Capitolina Pádua, a Capitu, com o amigo Escobar, foi decidida em julgamento "jurídico e literário" realizado na última segunda-feira no auditório deste jornal.
O jurista José Paulo Sepúlveda Pertence, ministro do Supremo Tribunal Federal, depois de considerar os argumentos apresentados, decidiu pela absolvição, não apenas por insuficiência de provas, mas por inconstitucionalidade dos dispositivos legais da época à luz da atual ordem constitucional -o que o fez declarar "irrelevante a indagação".
Apesar da absolvição, o juiz declarou sua convicção pessoal de que ocorreu o adultério: "Não sei, se devesse votar secretamente num júri, se resistiria à minha convicção íntima moral de que existiu o adultério. Mas devo agir aqui como juiz profissional, impedido de decidir por consciência e obrigado a decidir conforme as provas".
O advogado Márcio Thomaz Bastos, ex-presidente da OAB, encarregou-se da acusação, ficando a defesa representada por Luiza Nagib Eluf, procuradora de Justiça em São Paulo. Foram convocados como testemunhas da acusação os escritores Carlos Heitor Cony e Marcelo Rubens Paiva. Testemunharam pela defesa o historiador Boris Fausto e a escritora Rosiska Darcy de Oliveira.
Um público majoritariamente feminino lotou a sessão, que transcorreu por cerca de três horas.
De modo peculiar, Cony e Paiva deram início aos depoimentos insistindo na ocorrência do adultério mas, ao mesmo tempo, na inocência de Capitu.
As testemunhas trataram a relação extraconjugal como uma prática não apenas defensável, mas até mesmo desejável -mais ainda, tratando-se o marido, no entender de Cony, de um "chato" e, no de Paiva, de personagem com pendores homossexuais.
Essa quase "elegia do adultério", nas palavras do juiz Sepúlveda Pertence, foi objeto de uma pequena reprimenda no discurso que embasou a sentença: "As testemunhas chegaram perto da elegia do adultério, ao menos quando o marido é chato (disse-o sem conter o riso). Além de antiisonômico, é cruel. Quase teríamos, então, que trocar o título do romance imortal de Machado para tomar de empréstimo de Nelson Rodrigues o "Perdoa-me por me Traíres""...
Thomaz Bastos pediu a condenação com base num conjunto de indícios que daria verossimilhança à tese do adultério.
À defesa, coube tentar demonstrar, com um previsível acento feminista, que o marido, já não apenas um chato com pendores homossexuais, era um espírito inseguro, filho único abastado, incapaz de conviver sem fabulações paranóicas com uma mulher bela, com personalidade e luz próprias.
O juiz procurou proteger a memória de Bentinho -"tão vilipendiada nesta audiência"- e também o "gênio" de Machado de Assis que, em sua opinião, não fornece no romance prova que possa ser considerada "acima de qualquer dúvida razoável".
Sepúlveda Pertence decidiu levar em consideração a lei da época em que se deu o fato, mostrando que o Código Penal do Império previa pena de prisão para a mulher adúltera, deixando o homem adúltero sujeito a condenação apenas no caso de manter uma concubina em regime de segundo casamento.
Não seria essa desigualdade no tratamento dispensado ao homem e à mulher que caracterizaria, por si só, a inconstitucionalidade dos dispositivos: "É célebre o dito de Aristóteles a que Rui Barbosa deu expressão extremamente elegante, de que a igualdade não consiste senão em quinhoar desigualmente os desiguais na medida em que se desigualam", disse o juiz.
Ele considerou superadas "as razões do discurso machista" que pretendiam punir mais gravemente a mulher devido ao risco da geração de filiação adulterina.
"Isso perde quase toda sua força no sistema constitucional vigente", disse o juiz, considerando "que o próprio reconhecimento da filiação adulterina perdeu todas as restrições que historicamente o inibiam".
Disponível em: <http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq25069914.htm>. Acesso em: 19 Nov. 2012.